Autor: Luciano  Abreu

Deuses totêmicos são uma característica comum à religiosidade dos povos primitivos, normalmente nômades, que ainda não se construíram em civilizações dotadas de cidades e instituições permanentes.

A divindade totêmica surgia como uma espécie de emblema de um grupo social ou familiar, e mesmo de uma pessoa individualizada, representativa das forças naturais sob as quais o devoto se punha espontaneamente à mercê, em busca de defesa e de inspiração sobrenatural.

O Deus totêmico estava ligado ao xamã que se conectava a essas divindades ligadas a natureza, assim alcançava com elas uma espécie de diálogo que permitia o homem saber que coisa deveria fazer para esperar obter os favores de seu totem. O xamã era a figura principal para essas sociedades primitivas.

Entre os povos andinos as divindades totêmicas estavam ligadas à figura de animais como o jaguar, a serpente e o condor, logo mais tarde estas divindades iriam se constituir nos deuses dos povos “civilizados”.

O jaguar, enquanto totem tribal simbolizava as forças da natureza selvagem, o condor ou outras aves de rapina estava associado aos céus, à serpente o animal telúrico, associado à sabedoria, conectada fisicamente com a terra.

Elementos da natureza inspiração para o Sagrado

Diferentes tribos formava o Império Inca (Tawantinsuyo) resultando em uma amplitude e diversidade cultural muito forte nos culto aos lugares de origem de cada grupo.

Tanto os homens como as mulheres são sujeitos igualmente ativos, sagrados e respeitados na sociedade inca. Os mitos incaicos direcionam para relações humanas não necessariamente fundadas em distinções sexuais e sociais, carregam conceitos e valores relativos ao corpo e ao sagrado, que estruturavam a organização política/religiosa dos incas.

O panteão incaico estava dividido nas seguintes estruturas de deidades: celestial (criação), celestes (sol, lua, estações, agricultura), estrelares (plêiades, Vênus), terra (huacas, submundo).

Cada manifestação da natureza (rios, montanhas, plantas, penas) e objetos específicos (tumbas, templos) era considerada sagrada. A veneração às divindades era dirigida à huacas (seres, deuses ou antepassados encarnados em objetos e lugares sagrados). As huacas podiam assumir diferentes formas, o que criava possibilidades para que tantos os homens como as mulheres pudessem se identificar com o sagrado e as forças que controlavam e mantinham o universo. As pessoas, da mesma forma que as huacas, podiam também ser portadoras de várias identidades.

O culto aos ancestrais era uma das principais características da religião incaica. Do soberano Inca (governador) ou Coya (governadora) até heróis e heroínas (guerreiros/as) do Império eram mumificados sendo divinizados depois de mortos, nas cerimônias e datas sagradas eram expostos à sociedade: os ensinamentos, feitos, valores e muitos outros atributos eram cantados e assim fortificando a tradição incaica oral, pois as histórias sagradas não podiam ser esquecidas deveriam sempre ser relembradas e atualizadas.

A observação e compreensão do movimento dos astros possuía um importante aspecto na cultura inca, o percurso do sol e as fases da lua indicavam os melhores momentos para agricultura. Os sacerdotes e sacerdotisas do Sol formavam um importante grupo na sociedade inca e estavam divididos em várias categorias.  Os oráculos eram muito procurados e existiam diferentes formas de predizer o futuro. O culto lunar estava associado ao feminino e sacerdotisas estavam à frente de realizá-los.

As histórias sagradas presentes nos mitos da cultura inca revelam indícios de mulheres divinas e humanas, assumindo diversos atributos e funções e aparecem como huacas sagradas e revenciadas, detentoras de poderes sobre a vida, a morte, o corpo, a sexualidade, a felicidade, as chuvas, o represamento de água, a criação de peixes, a fertilidade dos campos de milho, a cura de enfermidades e distribuição de alimentos e bebidas.

A fé na fúria da Natureza

Os astecas foram um povo influente e poderoso, sua cultura absorveu muitos costumes dos povos conquistados e as crenças de povos já desaparecidos.  Pelos mitos a religião influenciava a vida da sociedade: eles acreditavam que, já que seus deuses iniciaram o mundo com sacrifícios de sangue, deveriam também ser aplacados com cerimônias semelhantes. Era preciso, por exemplo, arrancar o coração humano ainda pulsante e sangrando e oferecê-lo aos deuses, para renovar o sacrifício primordial e manter o Sol sempre em movimento e também manter a Terra fértil e renovar a vida.

Assim como diversos povos pré-colombianos os astecas conheciam bem a força da natureza, pois eram agricultores e inspiravam-se nos fenômenos naturais para criar o sagrado (deuses) para reverenciar, resultando em uma religião politeísta.

A divindade mais cultuada era o deus do Sol Huitzilopochtli, filho da deusa da Terra Coatlicue e do deus das nuvens Mixcoatl. O culto à Huitzilopochtli era tão forte que a cada nova tribo conquistada pelo império asteca instantaneamente tinha que render revência ao deus, assim uma vez no ano tinham que enviar para a capital do império oferendas a ele. Outras divindades cultuadas eram: Cihuacoatl deusa da Terra que representava o lado mais sombrio da natureza, Chalchiuhtlicue deusa das águas, Mictlancihuatl a deusa do submundo protetora dos ossos sagrados e das flores (do infra mundo) e entre uma grande infinidade de divindades.

Os astecas acreditavam que as grandes edificações era uma forma para se elevar ao divino, no entanto era necessário construir um novo templo a cada ciclo de 52 anos, não derrubavam o templo antigo, mas construíam sobre ele uma nova construção cada vez maior e mais imponente que a anterior. Um exemplo é o Templo Mayor que foi ampliado cinco vezes.

Texto baseado nos livros: Mitologias Astecas, Maia e Inca (A.S. Franchini) e Por uma história do possível (Susane Rodriguês).

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