Autor: Luciano Abreu

Mama Sara (Mãe Milho), Deusa dos grãos, das colheitas. Nas atividades agrícolas do Tawantinsuyo (Império Inca) os Incas praticavam uma série de cerimônias e ritos que foram consideradas vitais para uma boa produção e uma boa colheita, um exemplo do feito é a huaca de Sara ou até mesmo uma boneca feita do próprio milho que era renovada a cada colheita para uma farta safra na próxima época, e também para proporcionar chuvas abundantes, geralmente nos tempos de seca. As plantas de milho que cresciam de maneira estranha e fora do normal eram colocadas vestimentas para simbolizar Sara, além de utilizar as flores do milho para criar pequenas réplicas da Deusa.

A enorme importância da planta sagrada, se reflete nos muitos festivais realizados em sua honra: Ayriwa (Dança do milho jovem), dedicado à celebração da safra de milho. Aymuray (Canção da colheita), durante o qual a terra sagrada acolhe as sementes. No Inti Raymi (Festival do Sol), lembra como o Deus fez o alimento proveniente da planta de milho. Em Chancay (cidade peruana) máscaras de pano foram pintadas com representações de milho.

A civilização incaica em sua glória, cerca de 1400, possuía a arte da agricultura espalhada por todo o Império, desde a Colômbia até o Chile, com o cultivo de grãos na planície litorânea do Pacífico, passando pelos altiplanos andinos e adentrando na Planície Amazônica Oriental. Também calcula-se que cultivavam cerca de setecentas espécies vegetais. Recebendo os méritos do sucesso agrícola, a existência de estradas e trilhas que possibilitavam uma boa distribuição das colheitas na vasta região. O plantio era feito em terraços e já usavam a adiantada técnica das curvas de nível sendo os primeiros a usar o sistema de irrigação.

Os Incas chamavam os melhores produtos agrícolas de conopas (representações religiosas “amuletos”) cada produto tinha um espírito que os protegia. Os animais domésticos também tinham espíritos que os protegia, estes foram chamados illas ou também de conopas e eram feitos de pedra, já os conopas agrícolas eram feitos do próprio alimento.  Os conopas são colocados nos lares para causar proteção e fartura, esta crença ritualística religiosa é utilizada até os dias de hoje.

Os Incas ofereciam sacrifícios tanto humanos como de animais nas ocasiões mais importantes, maioria das vezes em rituais ao nascer do sol. Grandes ocasiões, como nas sucessões imperiais, exigiam grandes sacrifícios que poderiam incluir até duzentas crianças. Não era raro mulheres a serviço dos templos serem sacrificadas, mas a maioria das vezes os sacrifícios humanos eram impostos a grupos recentemente conquistados ou derrotados em guerra, como tributo à dominação. As vítimas sacrificiais deviam ser fisicamente íntegras, sem marcas ou lesões e preferencialmente jovens e belas e além do mais havia grande honra em serem conhecidas e escolhidas pelo imperador, tornando-se, depois da morte, espíritos com caráter divino que passariam a oficiar junto aos sacerdotes. Antes do sacrifício, os sacerdotes adornavam ricamente as vítimas e lhe davam uma bebida chamada ”chicha”, obtida a partir da fermentação do milho, era uma tarefa somente para as mulheres, o preparo da bebida de caráter mágico-religioso, até hoje apreciada.

Breve mito de Mama Sara

Sara era uma linda jovem que cativou desejos em um guerreiro de seu povo, e pelo homem ela inspirou desdém e medo. No entanto, os pais de Sara aprovaram o amor do guerreiro por sua filha. Sentindo-se sem mundo, e a data do casamento cada vez mais perto, ela preferia um punhal cravado em seu peito do que casar-se com ele. Sara então procurou a ajuda do Deus Sol Inti, no Vale Sagrado de Cuzco, sentindo uma sensação doce em resposta. Seu corpo adquiriu uma magreza extrema e os braços estendidos para o Hanan Pacha (cidade dos Deuses incaicos), logo tornaram-se as longas folhas de uma planta de milho. Somente as mulheres se reuniam para colher o milho, porque Sara era uma donzela e não pode ser tocada por homens, pois a sua colheita futura seria perdida.

Blibiografia

Pequenos fragmentos de…

Palmeyro, Georgina. Maíz, Sara o Thonko (Zea mays L.).

Paul Richard Steele, Catherine J. Allen. ”Handbook of Inca Mythology”.

Pesquisa Integrada: 4000 verbetes de pesquisa de A a Z em ordem alfabética – Curitiba, PR: Bolsa Nacional do Livro, 2005.

http://www.bussolaescolar.com.br/historia_geral/civilizacao_inca.htm http://www.artelista.com/obra/7333286695576782-apu-sara-mama-conopa-divinidad-inca-del-maiz.html pesquisa idealizada em Junho de 2015.

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